Como trabalhamos
Esta página existe para que possa avaliar o que lê aqui sem ter de acreditar em nós. Descreve de onde vem cada afirmação, porque chegámos às duas conclusões mais incómodas deste site, o que recusamos publicar e como corrigimos o que sai errado.
De onde vêm as afirmações deste site
Nem todas as fontes valem o mesmo. Usamo-las por esta ordem de prioridade:
- Revisões sistemáticas e meta-análises — sobretudo da Cochrane, que reúne e avalia todos os ensaios disponíveis sobre uma pergunta em vez de escolher o que dá jeito. É onde procuramos primeiro a resposta a "isto funciona?".
- Ensaios clínicos randomizados e estudos de coorte, consultados no PubMed e no PMC, quando não existe revisão sistemática ou quando é preciso um número concreto — uma dose, uma duração, uma taxa de recidiva.
- Reguladores e institutos públicos — a EFSA e os regulamentos da Comissão Europeia para as alegações de saúde, o IQWiG alemão para sínteses clínicas.
- Referências clínicas e normas — StatPearls/NCBI, a classificação CEAP do American Venous Forum, sociedades de cirurgia vascular.
- Fontes de mercado — farmácias e retalhistas portugueses, tabelas de preços de clínicas. Servem apenas para preços e disponibilidade, nunca para provar que algo funciona.
Um princípio atravessa esta lista: quem vende o produto não é fonte sobre o produto. O folheto do fabricante serve para saber a composição declarada, não para saber o efeito.
O que não usamos como prova
- Blogues e sites de conteúdo sem referências.
- Páginas de venda e "artigos" que terminam num botão de compra.
- Testemunhos e opiniões de utilizadores não verificáveis.
- Estrelas de avaliação atribuídas pelo próprio site — encontrámo-las em quatro dos concorrentes diretos e não vamos imitá-las.
- Estudos citados por quem vende sem indicação de revista, ano e autores.
- Conteúdo de outro país apresentado como se descrevesse o mercado português.
Quando a evidência é fraca, mista ou inexistente, dizemo-lo — mesmo que isso torne o texto menos vendável.
Porque dizemos que a compressão funciona
Porque é a única medida deste tema com evidência de alta certeza, e a evidência está identificada.
A revisão Cochrane CD004002.pub4 (Clarke MJ e col., 2021) analisou o uso de meias de compressão em passageiros de voos longos: a trombose venosa profunda assintomática caiu com um odds ratio de 0,10 (IC 95% 0,04–0,25), classificada como evidência de alta certeza. Em números do dia a dia, o risco desce de dezenas de casos por 1 000 passageiros para 2 a 3 por 1 000. A mesma revisão registou redução significativa do edema.
O instituto público alemão IQWiG, que avalia com metodologia equivalente à da Cochrane, descreve a compressão como bem documentada na insuficiência venosa avançada e na cicatrização de úlceras venosas, com um mecanismo conhecido: a pressão externa ajuda as válvulas a fechar e acelera o retorno do sangue.
Porque não dizemos que a compressão "acaba com as varizes"
Porque a revisão que faz exatamente essa pergunta não confirma isso.
A Cochrane CD008819.pub4 (2021) reuniu 13 ensaios e mais de 1 000 participantes para avaliar as meias de compressão graduada como tratamento inicial das varizes em pessoas sem úlcera. A conclusão: não há evidência suficiente para afirmar que a compressão isolada é eficaz nas varizes, nem que um tipo de meia é superior a outro. Em 9 estudos os participantes relataram melhoria dos sintomas, mas com risco de viés — nem sempre houve grupo de controlo.
A diferença entre as duas frases é o essencial desta página.
"Evidência insuficiente" não é "não funciona": significa que os estudos feitos até agora não permitem afirmar. Por isso escrevemos que a compressão é a escolha mais defensável para os sintomas e para prevenir complicações, e não escrevemos que apaga veias já dilatadas. Quem lhe prometer isso está a vender, não a informar.
Porque dizemos que os cremes servem para os sintomas
Porque é isso, e só isso, que os dados sustentam.
A revisão Cochrane CD003229.pub4 (Martinez-Zapata MJ e col., 2020) sobre flebotónicos na insuficiência venosa concluiu, com certeza moderada, que reduzem ligeiramente o edema face ao placebo, com eficácia limitada para os outros sinais e sintomas. A mesma revisão nota que o mecanismo de ação continua mal estabelecido depois de décadas de estudos.
Do lado regulatório, o Regulamento (UE) n.º 1229/2014 da Comissão, baseado no parecer científico da EFSA (EFSA Journal 2014;12(1):3511), não autorizou a alegação de que a combinação de diosmina 300 mg, troxerutina 300 mg e hesperidina 100 mg ajuda a manter a permeabilidade vénulo-capilar normal: o painel concluiu que não ficou estabelecida uma relação de causa e efeito. A alegação de coadjuvante na manutenção do tónus venoso fisiológico foi rejeitada pelo mesmo motivo.
Consequência prática para o que lê aqui: neste site nenhum creme "trata veias". Descrevemos alívio de peso, desconforto e edema, que é o que está documentado, e nunca efeito sobre a parede da veia ou sobre o refluxo. É assim que estão escritas as duas páginas onde isto mais pesa: o guia das meias de compressão e a página sobre cremes para varizes.
O que fazemos quando as fontes se contradizem
Primeiro comparamos o nível: uma revisão sistemática pesa mais do que um ensaio isolado, e um ensaio randomizado pesa mais do que uma série de casos. Depois olhamos para a data — em medicina venosa, uma revisão de 2021 substitui uma conclusão de 2005.
Se a contradição se mantém entre fontes do mesmo nível, não escolhemos a que dá melhor manchete: escrevemos que os resultados são divergentes e mostramos os dois lados.
Um texto que admite incerteza é mais útil do que um texto que a esconde.
Como marcamos o que não está confirmado
Nem todo o facto útil tem fonte primária. Preços de clínicas, disponibilidade numa farmácia ou uma declaração de imprensa não são estudos. Nesses casos:
- indicamos a origem e a data da verificação;
- atribuímos a declaração a quem a fez, em vez de a apresentar como dado estatístico;
- assinalamos como não confirmado aquilo que não conseguimos verificar numa fonte independente;
- se não conseguimos confirmar de todo, o dado não entra no texto.
Porque não publicamos "os 5 melhores"
Porque um ranking dá a impressão de uma comparação que raramente existe. Para ordenar produtos seria preciso que tivessem sido comparados entre si em ensaios diretos, e na maior parte destes casos isso nunca aconteceu.
Em vez de um pódio, damos os critérios e os dados: a classe de compressão em mmHg, a composição declarada, o preço por unidade, o que a revisão diz sobre aquela substância. A ordenação faz o leitor — com o seu caso, o seu orçamento e, quando é preciso, o seu médico.
Porque não publicamos preços que não verificámos
Um preço errado numa página de saúde não é um detalhe: muda decisões.
Só publicamos valores que vimos na loja, na farmácia ou na tabela da clínica, com a data ao lado. Não copiamos preços de outros artigos e não inventamos "preço médio". Quando um produto não revela a dose ou o preço, escrevemo-lo — a omissão é, ela própria, informação para o leitor.
Datas, atualizações e correções
Cada página mostra a data de publicação e a da última atualização. Revemos os textos quando sai uma revisão nova, quando um preço deixa de estar certo ou quando alguém nos aponta um erro.
Se encontrar uma afirmação errada ou desatualizada, diga-nos qual e porquê, de preferência com a fonte, pela página de contactos. Corrigimos e atualizamos a data. Um site de saúde que nunca se corrige não está certo: está parado.
Afiliação, com transparência
Algumas ligações são de afiliação: se comprar através delas, o site pode receber uma comissão. Os termos completos estão no aviso legal.
O preço que paga é o mesmo, e a comissão não altera as conclusões. A página sobre cremes diz que não desfazem varizes, e essa frase mantém-se mesmo quando é comercialmente inconveniente. Se alguma vez uma avaliação positiva coincidir com um produto de que recebemos comissão, será porque a evidência aponta nesse sentido — e as fontes estarão à vista para poder confirmar.
Quem escreve
Os textos são assinados pela Redação Pernas Leves e assentam nas fontes citadas em cada página. Não inventamos autores nem apresentamos artigos como sendo de médicos que não os escreveram. Quem somos e porque fizemos este site está em quem somos.
Autor: Redação Pernas Leves · a nossa metodologia Publicado: 22 de agosto de 2026 · Última atualização: 22 de agosto de 2026
Aviso médico. A informação deste site tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Perante sintomas nas pernas, fale com o seu médico de família ou farmacêutico.
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Fontes utilizadas
- Cochrane CD004002.pub4 (Clarke MJ et al., 2021), meias de compressão em passageiros de avião — https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD004002.pub4/full
- Cochrane CD008819.pub4 (2021), compressão graduada no tratamento inicial das varizes — https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD008819.pub4/full
- Cochrane CD003229.pub4 (Martinez-Zapata MJ et al., 2020), flebotónicos na insuficiência venosa — https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD003229.pub4/full
- IQWiG / InformedHealth, efeito e uso das meias de compressão médicas — https://www.informedhealth.org/effect-and-use-of-medical-compression-stockings.html
- Parecer EFSA sobre diosmina, troxerutina e hesperidina (EFSA Journal 2014;12(1):3511) — https://efsa.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.2903/j.efsa.2014.3511
- Regulamento (UE) n.º 1229/2014 da Comissão, alegações não autorizadas — https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/?uri=CELEX%3A32014R1229
- Classificação CEAP da doença venosa crónica (StatPearls/NCBI) — https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557410/