Meias de compressão para varizes: que classe, quando e quanto custa
Resposta curta: com varizes estabelecidas, a classe habitualmente usada é a classe 2 (23–32 mmHg) — é a mais prescrita na prática clínica. Em Portugal, os preços de retalho vão de cerca de 14,99 € a 76,90 €, e mesmo com seguro privado a despesa costuma ficar por conta do utente. A compressão alivia sintomas e tem eficácia documentada na insuficiência venosa avançada e na cicatrização de úlceras. O que ela não faz é apagar as veias já visíveis: sobre isso, a revisão Cochrane de 2021 considerou a evidência insuficiente.
Três perguntas concretas, por esta ordem: que classe corresponde à sua situação, a partir de quando faz sentido começar, e quanto custa manter o uso ao longo de um ano.
Que classe de compressão se usa nas varizes?
A classe 2, com 23–32 mmHg no tornozelo, cobre varizes estabelecidas, insuficiência venosa crónica moderada, o período após escleroterapia ou cirurgia, e a gravidez com sintomas marcados. É também a classe mais prescrita clinicamente (medi).
As classes seguem a norma europeia RAL-GZ 387 e medem-se em milímetros de mercúrio (mmHg) no tornozelo.
| Com varizes, a classe é esta | mmHg | Situação concreta |
|---|---|---|
| Classe 1 | 18–21 | Ainda sem varizes visíveis: peso ao fim do dia, prevenção, viagens |
| Classe 2 | 23–32 | Varizes estabelecidas, IVC moderada, pós-escleroterapia e pós-cirurgia |
| Classe 3 | 34–46 | IVC grave, edema marcado, úlcera ativa ou cicatrizada, síndrome pós-trombótico |
A classe 4 (≥ 49 mmHg) existe para linfedema grave e uso especializado, e não entra na decisão de quem compra por causa de varizes. A tabela completa das quatro classes está no guia das meias de compressão. Fontes: medi e o documento oficial da norma RAL-GZ 387/1.
Duas notas antes de tirar a caixa da prateleira.
A primeira: subir de classe por iniciativa própria não traz necessariamente mais alívio. Na meta-análise de Mei et al. (2019, BMC Geriatrics) não houve diferença entre classe 1 e classe 2 nos sintomas subjetivos nem na mobilidade; a vantagem documentada da classe 2 estava na redução do risco de recidiva de úlcera da perna (PMC).
A segunda: a atribuição de classe é clínica, porque exige excluir doença arterial. Numa perna com fluxo arterial comprometido, 23–32 mmHg agravam o problema em vez de o resolverem. As contraindicações estão mais abaixo.
Em que fase da doença venosa está? A escala CEAP
A classificação CEAP é o padrão internacional para classificar a doença venosa crónica, criada em 1994 pelo American Venous Forum e atualizada em 2020 (StatPearls/NCBI). Serve para responder à pergunta «em que fase estou» com um critério que o médico reconhece. As fases estão descritas em o que são varizes.
Cada classe pode ainda ser «A» (assintomática) ou «S» (sintomática): C2S significa varizes visíveis com sintomas — dor, peso, cansaço (StatPearls/NCBI).
Esta escala é útil na hora de comprar por uma razão prática: a compressão tem evidência mais forte quanto mais avançada é a fase. Nas úlceras (C5–C6) e na insuficiência venosa avançada, o IQWiG considera a compressão bem documentada, com melhoria da cicatrização (informedhealth.org). Em C2 sem tratamento prévio, a evidência é mais frágil. Fica dito.
As meias travam a progressão das varizes?
Não há prova direta de que a compressão isolada trave a progressão das varizes, e quem afirmar o contrário está a ir além dos dados. A revisão Cochrane CD008819.pub4 (2021), com 13 ensaios e mais de 1 000 participantes, concluiu que falta evidência de alta certeza para confirmar que a compressão, sozinha e como tratamento inicial único, seja eficaz nas varizes — ou que um tipo de meia seja superior a outro. Em 9 estudos os participantes relataram melhoria subjetiva dos sintomas, mas com risco de viés (Cochrane).
O que se sabe sobre a evolução da doença vem de outro lado. A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular descreve a insuficiência venosa crónica como progressiva: tratada adequadamente, a progressão pode ser refreada; sem tratamento, o risco de feridas extensas e de difícil cicatrização aumenta (SBACV).
E a doença não é estática. No Edinburgh Vein Study, a incidência anual de novas varizes (classe C2) foi de cerca de 1,4%, semelhante em homens e mulheres — ou seja, continuam a surgir ao longo da vida adulta (JVS Venous). No Bonn Vein Study II, com 6,6 anos de seguimento, a prevalência de varizes subiu de 22,7% para 25,1% e a de insuficiência venosa crónica de 14,5% para 16,0% (Journal of Vascular Surgery).
Somando as peças: a compressão é a medida de suporte com melhor documentação, alivia sintomas em muita gente e é central nas fases avançadas. Travar a progressão com a meia sozinha é que não está demonstrado em ensaios de alta certeza.
Nenhum dos tratamentos disponíveis é descrito como cura definitiva das varizes, porque a predisposição das válvulas e da parede venosa permanece (SBACV).
Quando começar a usar
Começa-se quando há sintomas, ou quando há um motivo de risco concreto. Não existe um número de veias visíveis a partir do qual a meia passe a ser obrigatória.
Três situações em que a indicação é mais clara:
- Sintomas ao fim do dia: peso nas pernas, inchaço no tornozelo, cansaço, cãibras noturnas — as queixas que o público português descreve como pernas pesadas e má circulação.
- Longos períodos em pé, um fator de risco documentado para doença venosa (AAFP).
- Gravidez com edema: num estudo controlado, as grávidas com meia tiveram um aumento significativamente menor do diâmetro da perna e do tornozelo face ao grupo de controlo (PMC). A prevalência de varizes em grávidas chega a ser relatada até 47% na literatura (PubMed).
Um dado de escala, para contexto: no Edinburgh Vein Study, a prevalência ajustada por idade de varizes foi de 39,7% nos homens e 32,2% nas mulheres, com insuficiência venosa crónica em 9,4% e 6,6% respetivamente (JVS Venous). Isto não é uma condição rara nem um problema meramente estético.
Quanto tempo usar depois de escleroterapia ou cirurgia
O período após escleroterapia ou cirurgia é uma das indicações formais da classe 2 (23–32 mmHg) (medi). A duração exata é definida por quem fez o procedimento e varia com a técnica usada. Não encontrámos um número de dias validado por fonte primária, e não o vamos inventar.
O contexto ajuda a perceber porquê. Em Portugal existem quatro abordagens principais: escleroterapia (injeção de líquido esclerosante dentro da veia, popularmente chamada «secagem»), laser vascular, radiofrequência, que aquece a parede da veia por cateter e evita a incisão na virilha da cirurgia clássica, e a cirurgia de stripping (Saúde Bem-Estar, Cirurgia Vascular). Cada uma tem o seu protocolo de compressão pós-procedimento.
A pergunta a fazer na consulta, em vez de procurar a resposta na internet: que classe, quantas horas por dia e durante quantas semanas.
Como usar quando já há varizes
O essencial em quatro linhas: calçar de manhã antes de sair da cama, desenrolar sobre a perna sem deixar rugas, nunca dobrar o topo para baixo — isso cria um efeito de torniquete — e usar durante o dia, 8 a 12 horas, retirando à noite (MedlinePlus, informedhealth.org). Lavar diariamente, ter dois pares e substituir a cada 3 a 6 meses, porque a compressão perde-se com o desgaste.
O passo a passo com medidas, tamanhos e cuidados de pele está no guia das meias de compressão e não se repete aqui. O que muda com varizes estabelecidas é o peso do tamanho. Numa classe 2, uma meia larga de mais perde a compressão graduada, e uma apertada de mais pode restringir o fluxo arterial. É por isso que a medição ao balcão deixa de ser um extra (NHS Inform).
- Uma das pernas — só uma — a inchar, a doer, quente ao toque e avermelhada: pode ser trombose venosa profunda, e a avaliação é no próprio dia (Mayo Clinic).
- Essa dor somada a falta de ar, desmaio, tosse com sangue ou dor no peito: 112.
- Ferida perto do tornozelo que não cicatriza, ou uma variz a sangrar: médico, não loja.
O bloco completo está mais abaixo. Sem nenhum destes sinais, a compra resolve-se com classe, tamanho e loja.
Quem não deve usar meias de compressão
A compressão é desaconselhada em doença arterial periférica, neuropatia avançada (incluindo pé diabético), infeção cutânea bacteriana aguda, insuficiência cardíaca grave e dermatite exsudativa ou eczema não controlado, pelo risco de dano cutâneo permanente (informedhealth.org). Os limiares formais — índice tornozelo-braço abaixo de 0,5, pressão no tornozelo abaixo de 60 mmHg — medem-se em consulta e estão detalhados, com os restantes valores, no guia das meias de compressão (JDDG).
Regra prática antes de comprar classe 2: com diabetes, pés frios ou dor nas pernas ao caminhar que alivia em repouso, medir o índice tornozelo-braço primeiro.
Nenhuma meia substitui avaliação urgente nestas situações.
- Trombose venosa profunda. Dor ou latejar persistente numa perna, em geral só numa e na barriga da perna, com inchaço, pele quente ao toque, vermelhidão ou descoloração, com a ressalva de que cerca de metade dos casos não apresenta sintomas evidentes (Mayo Clinic). Ao contrário da cãibra comum, a dor é persistente e não melhora com alongamento nem massagem (Caprini Risk Score).
- Ligue 112 se, além da dor e inchaço na perna, houver falta de ar, batimento cardíaco acelerado, dor no peito, tosse com sangue, tontura ou desmaio — pode ser embolia pulmonar (Mayo Clinic).
- Hemorragia de uma variz. Deite-se, eleve a perna acima do nível do coração e faça pressão direta e constante com pano limpo durante pelo menos 10 minutos, sem levantar para verificar; se ao fim de 20 minutos de pressão mantida continuar a sangrar, contacte a emergência sem largar a pressão (PMC). É uma emergência porque a pressão dentro da variz é elevada (BJGP).
- Úlcera venosa. Ferida perto do tornozelo que não cicatriza. Sem tratamento adequado, 50 a 75% demoram 4 a 6 meses a cicatrizar e pelo menos uma em cada cinco continua aberta há mais de dois anos (SBACV).
- Tromboflebite superficial. Vermelhidão, inchaço e sensibilidade ao longo de uma veia superficial, por vezes com febre — comum em quem já tem varizes (Cleveland Clinic). Avaliação urgente se a vermelhidão se espalhar para a virilha ou o joelho (Patient.info).
Preço das meias de compressão para varizes em Portugal
Os preços públicos de retalho verificados em Portugal situam-se entre cerca de 14,99 € e 76,90 €. Na gama da Wells, a meia-calça de marca própria em promoção começa perto de 14,99 € e o collant Juzo, de gama técnica, chega a 76,90 €; as meias BOXPT Equipment vendidas em contexto desportivo ficam na faixa de classe 1, 18–21 mmHg (Wells).
Quem já tem varizes não decide pelo preço de uma peça. Decide pelo primeiro ano de uso: dois pares em alternância, mais a substituição a cada 3 a 6 meses (MedlinePlus).
| Como vai usar | Pares no primeiro ano | Conta do ano |
|---|---|---|
| Um par de entrada de gama, substituído aos 6 meses | 2 | a partir de cerca de 30 € |
| Dois pares em alternância, substituídos aos 6 meses | 4 | a partir de cerca de 60 € |
| Marca técnica no topo da gama, dois pares por ano | 2 | até cerca de 154 € |
As contas partem dos preços públicos verificados na mesma gama a 22 de agosto de 2026 — 14,99 € na entrada e 76,90 € no topo (Wells) — e servem de ordem de grandeza, não de tabela de preços nacional. A comparação canal a canal está em onde comprar meias de compressão.
Continua a ser a intervenção mais barata da lista — a escleroterapia parte de 140 € por sessão e a cirurgia chega aos 2 500 € por perna, com os valores todos reunidos em preços dos tratamentos de varizes (Living Clinic, E-konomista).
Há uma linha das apólices que convém ler antes. Um manual de procedimentos de seguro de saúde consultado exclui expressamente o reembolso de despesas com «aquisição de collants, meias elásticas e cintas ortopédicas, e quaisquer outros produtos utilizados para o tratamento das varizes» (documento do plano). Ou seja, mesmo com seguro privado, conte com a despesa do próprio bolso.
O que este guia faz — e o que não faz
Aqui encontra a correspondência entre fase da doença e classe de compressão, o que as revisões sistemáticas mostram (e não mostram) sobre varizes, como usar a meia sem perder o efeito, e os preços praticados em Portugal.
Aqui não encontra a indicação da sua classe nem a duração do uso após um procedimento. As duas coisas dependem de avaliação — em particular, de confirmar que a circulação arterial permite compressão — e são decisão de médico ou de farmacêutico com a sua perna à frente.
Porque não dizemos qual é "a melhor meia para varizes"
Porque a revisão Cochrane CD008819.pub4 concluiu que não há evidência de alta certeza de que um tipo de meia seja superior a outro (Cochrane). O que está documentado é outra coisa, e é acionável: classe correta em mmHg, tamanho medido, substituição dentro do prazo. Uma meia cara do tamanho errado funciona pior do que uma barata do tamanho certo.
Resumo: o que fazer no seu caso
| A sua situação (CEAP) | Faixa habitual | Onde comprar | Custo |
|---|---|---|---|
| Derrames e veias reticulares, pernas cansadas (C1) | Classe 1, 18–21 mmHg | Parafarmácia, loja de desporto | desde 14,99 € |
| Varizes visíveis com sintomas (C2S) | Classe 2, 23–32 mmHg | Farmácia ou ortopedia, com medição | dentro da faixa 14,99–76,90 € |
| Varizes com edema ao fim do dia (C3) | Classe 2, 23–32 mmHg | Farmácia ou ortopedia, com medição | idem |
| Alterações da pele ou úlcera cicatrizada (C4–C5) | Classe 3, 34–46 mmHg | Ortopedia, com indicação médica | topo da gama |
| Depois de escleroterapia ou cirurgia | Classe 2, pelo tempo que a clínica indicar | Onde a clínica indicar | idem |
Antes de qualquer linha acima, uma condição: excluir doença arterial. Cumprida essa, três gestos decidem o resultado: medir de manhã, exigir os mmHg declarados e trocar a meia dentro dos 3 a 6 meses.
Autor: Redação Pernas Leves · a nossa metodologia Publicado: 22 de agosto de 2026 · Última atualização: 22 de agosto de 2026
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Fontes utilizadas
- medi, classes de compressão — https://www.medi.de/en/faq/compression-garments/compression-classes/
- Norma RAL-GZ 387/1 (documento oficial) — http://www.tagungsmanagement.org/icc/images/stories/PDF/ral_gz_387_englisch.pdf
- Cochrane CD008819.pub4 (2021), compressão no tratamento inicial das varizes — https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD008819.pub4/full
- Mei et al., 2019, BMC Geriatrics — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6407277/
- IQWiG / InformedHealth, meias de compressão médicas — https://www.informedhealth.org/effect-and-use-of-medical-compression-stockings.html
- StatPearls/NCBI, classificação CEAP — https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557410/
- SBACV, insuficiência venosa crónica (documento técnico) — https://sbacvsp.com.br/wp-content/uploads/2016/05/insuficiencia-venosa-cronica.pdf
- Edinburgh Vein Study — https://www.jvsvenous.org/article/S2213-333X(12)00091-1/fulltext
- Bonn Vein Study II — https://www.jvascsurg.org/article/S0741-5214(09)02285-X/fulltext
- MedlinePlus (NIH/NLM), uso e cuidados — https://medlineplus.gov/ency/patientinstructions/000597.htm
- JDDG (DOI 10.1111/ddg.14042), contraindicações arteriais — https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/ddg.14042
- Wells, gama e preços de meias de compressão/descanso — https://wells.pt/ortopedia/meias-de-descanso
Fontes adicionais citadas: AAFP 2019 — https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2019/0601/p682.html · Estudo em grávidas — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8958436/ · Prevalência em grávidas (PubMed) — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16964695/ · NHS Inform — https://www.nhsinform.scot/tests-and-treatments/medicines-and-medical-aids/medical-aids/compression-stockings-and-socks/ · Mayo Clinic (TVP) — https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/deep-vein-thrombosis/symptoms-causes/syc-20352557 · Caprini Risk Score — https://capriniriskscore.org/news/early-warning-signs-how-to-tell-if-you-have-deep-vein-thrombosis/ · PMC (hemorragia de variz) — https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10993626/ · BJGP — https://bjgp.org/content/72/722/448 · Cleveland Clinic — https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/17523-superficial-thrombophlebitis · Patient.info — https://patient.info/heart-health/varicose-veins-leaflet/superficial-thrombophlebitis · Living Clinic (escleroterapia, laser) — https://livingclinic.pt/en/vascular/sclerotherapy/ · E-konomista (preços de cirurgia) — https://www.e-konomista.pt/tratamento-de-varizes/ · Saúde Bem-Estar (escleroterapia/«secagem») — https://www.saudebemestar.pt/pt/clinica/cirurgia-vascular/tratamento-de-varizes/ · Cirurgia Vascular PT (radiofrequência) — https://www.cirurgia-vascular.pt/varizes-e-derrames-tratamentos/radiofrequencia/ · Manual de seguro de saúde — https://stimpostos.pt/wp-content/uploads/2025/12/manual-seguro-saude-sti-2026-vf-revista-pela-mgen-v2.pdf